Por Marcela Sampaio (5º período de Jornalismo)

As APACs (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado) são uma alternativa para o cumprimento da pena privada de liberdade que assiste e protege o condenado visando sua reintegração na sociedade. Sua visão tem como base o amor, a confiança e a disciplina para resgatar a pessoa humana. Em Governador Valadares, a unidade feminina funciona desde junho de 2008, com grandes resultados na recuperação de mulheres apenadas.

Lucinéia Cardoso dos Santos tem 27 anos e recebeu uma sentença de 16 anos de reclusão. Hoje, depois de 9 meses na APAC, ela reconhece a mudança: “Eu vou levando a minha vida trabalhando e fazendo o que eu posso para mostrar não só para a minha família, mas também para a sociedade, que hoje eu sou uma nova pessoa, porque eu estava no fundo do poço e Deus me resgatou e graças também com a ajuda da APAC”.

Dentro de uma unidade prisional como a APAC, as recuperandas, como são chamadas, têm a oportunidade de estudar, aprender trabalhos artesanais, participar de reuniões de ensino religioso e desfrutar de um ambiente pacificador. Em muitos casos elas passam a trabalhar fora durante o dia e retornam para dormir no presídio até que alcancem a liberdade. Foi assim com Cristiana Teixeira Gama. As dificuldades de sua adolescência e a falta de uma estrutura familiar equilibrada, de alguma forma trouxeram um peso que terminou arrastando-a para o crime, ainda jovem. Segundo ela, o ambiente que a envolvia “estava tão impregnado”, que as coisas erradas assumiam um “ar” de normalidade. “Um abismo, ia chamando outro abismo, e cada vez que uma necessidade gritava”, a solução mais rápida de lhe calar a boca era “o caminho trágico do mundo do crime”.

Foi dentro de um sistema convencional de presídio que Cristiana amargou o sentimento de não poder mais conviver com seus filhos, ainda pequenos, e muito menos poder abraça-los. Em meio aos conflitos vividos numa penitenciária convencional, ela disse já ter encontrado bichos na comida, suportado a hostilidade do ambiente e a vergonha de ter sido algemada. Cristiana disse ainda que teve sua vida transformada ao ser transferida de uma penitenciária convencional para a APAC: “Para mim, foi muito bom, recupera a sua dignidade. Essa é a realidade. Eles tentam buscar o que você tinha perdido lá no sistema convencional. As pessoas te tratam completamente diferente, com respeito, dignidade mesmo, a conhecer de verdade o que era certo e o que era errado, a conhecer Deus. Eu não conhecia Deus e isso aí para mim foi um caminho maravilhoso. E a aprender a valorizar todas as coisas, valorizar a liberdade, valorizar tudo, tudo na minha vida, um passo que eu vou dar. Isso aqui que eu estou fazendo para mim. O céu inteiro para mim é muito importante”.

Dentro deste novo formato de reclusão, as recuperandas recebem tratamento adequado baseado na valorização humanitária. Dessa forma, as portas duras e frias de uma penitenciária começam a fazer parte de um novo caminho, onde ainda há esperança e oportunidade de se reencontrar novamente com a dignidade perdida.

Legenda: Sala de estudos onde as detentas tem oportunidade de aprendizado com redução da pena. Crédito: Marcela Sampaio.

27 de junho de 2018

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