Por André Guimarães (4° período de Jornalismo)

Ser obrigado a procurar uma atividade física para se tratar da síndrome do pânico para muitas pessoas pode ser o fim do poço. Para outras, trata-se de um recomeço. Foi depois da orientação de um médico que a advogada Prisciliana Maciel, 33, conheceu o muay thai, conhecido também como “Box Tailandês”. O esporte milenar tem suas origens no kung-fu chinês. Na Tailândia, é uma paixão nacional, assim como o futebol no Brasil. As lutas são transmitidas pela televisão e as pessoas aprendem a modalidade desde criança.

Pela terceira vez, Prisciliana representou a academia Nak La Muaythai, do professor Oliver Fernandes, que é seu marido. Depois de duas experiências de 45 dias na Tailândia, neste ano a atleta decidiu embarcar de volta, sem previsão de retorno, para uma viagem que durou seis meses. Esse foi um diferencial na hora dos treinos: “Eu não sabia quanto tempo ia ficar. Isso é muito diferente, tanto na minha postura, porque eu estou ali, aberta a receber tudo que vier, quanto os treinadores também que se deram muito mais, e me cobraram muito mais: ‘Agora você é daqui, não sabe quanto tempo vai ficar. Então, vai ser tratada como tailandesa mesmo. Se prepara’. Foi tipo isso”.

Cartaz de uma das nove lutas que a atleta valadarense disputou. Em destaque Prisciliana representando o Brasil. Imagem: Arquivo pessoal/Prisciliana.

E não era brincadeira. Prisciliana virou uma tailandesa de verdade, desde participar do almoço de domingo em família até as cerimônias religiosas, que geralmente os estrangeiros não têm acesso. E, claro, os treinos de muay thai especiais, que exigem do atleta muita preparação, foco e persistência. Por volta das 5h40 começa o treinamento, com uma corrida de 10 quilômetros. Depois, um treino técnico e ainda aprimoramento físico na musculação. Isso tudo até às 9 horas. Às 15 horas, mais uma corrida, e, de volta à academia, 30 minutos de corda, além do treino técnico puxado, que vai até às 19 horas.

Essa rotina de treinamento rendeu à Prisciliana a oportunidade de disputar lutas em estádios e festivais do país. No total, nove disputas, das quais venceu sete. Um desempenho, que segundo ela, superou as expectativas. “Cheguei a disputar um cinturão lá. Foi muito bacana! Muito, muito, muito melhor do que eu esperava. Essas possibilidades que eu tive de participar desses eventos diferentes assim, eles foram, na verdade, frutos de resultado. E, na verdade, não só resultado, mas de desempenho, porque a gente não está falando apenas de vencer ou de perder a luta, mas de como encarou aquela luta. Os tailandeses valorizam muito isso: sua postura durante a luta, independente de ganhar ou perder”.

Experiência em prática

Beatriz Glória, de 23 anos, começou a fazer aulas de muay thai porque queria fazer alguma atividade física. Acabou gostando e pratica há dois anos o esporte. Ela tem o privilégio de ser aluna de Prisciliana. Com isso, tem a oportunidade de adquirir um pouco da experiência que vem direto da Tailândia: “A ‘Pri’ é um espelho pra todo mundo aqui, eu acho, e ela ensina a gente muito essa questão de superar você mesmo, e trabalhar você mesmo. O que ela e o Oliver passam aqui no muay thai, a gente consegue aplicar em tudo na vida”. Beatriz ainda diz que cada vez que a professora volta da Tailândia, traz um conhecimento técnico e cultural, que ajuda a aprimorar as técnicas de luta.

Beatriz tem oportunidade de aprender técnicas direto da Tailândia, com a professora Prisciliana. Foto: André Guimarães.

Toda essa experiência de Prisciliana é consequência da rotina de treinos e da dedicação que ela tem com os alunos. E tudo isso foi aprimorado, acompanhando de perto a rotina dos tailandeses. “No meu último mês lá, eu fui patrocinada pela minha academia. Então, eu estava morando no dormitório da academia. Eu treinava, eu vivia para a luta, e isso agregou muito também. Além dos treinos que eu fazia, eu ficava na academia o dia todo. Então eu via, por exemplo, os treinadores treinando outras pessoas. Só faz sentido aprender, se for pra compartilhar mesmo, né?”.

Sobre o futuro, a atleta tem certeza de que vai voltar à Tailândia para aprimorar o conhecimento. E depois que retornou ao Brasil, recebeu um convite para disputar um cinturão em um campeonato. Reconhecimento do trabalho duro que vem fazendo. Por causa de um compromisso da academia, ela não vai poder disputar. Mas, apesar disso, ainda pretende competir no Brasil, mesmo com a falta de estrutura e condições que os atletas da modalidade recebem no país.“Aqui no Brasil é muito complicado, primeiro porque a gente não está muito bem localizado. Valadares é muito longe de tudo. Então, você vai fazer uma luta em São Paulo, Rio de Janeiro, e os gastos são muito altos. E outra coisa que dificulta é que as lutas aqui normalmente não são remuneradas. Então, você tem todo gasto. Um investimento que não é barato. Acaba sendo pela vontade, pelo prazer de lutar”.

Foto de capa: Prisciliana comemorando a vitória em um ringue tailandês. Foto: Arquivo pessoal/Prisciliana.

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