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Atitudes que vão além da fé

Por Michel Alves

Fundado na França, em 1857, o espiritismo tem a caridade e o amor ao próximo como alguns de seus principais valores. É com base nesses princípios que, há 47 anos, o Grupo da Fraternidade Martha Figner, em Governador Valadares, desenvolve um projeto social destinado a pessoas carentes.

Cestas básicas são doadas no último encontro do mês. (Foto: Paulo Henrique Anjos)

Cestas básicas são doadas no último encontro do mês. (Foto: Paulo Henrique Anjos)

A entidade realiza todo sábado um encontro com voluntários e famílias necessitadas. Poderia ser um dia como outro qualquer, mas na ocasião, além da busca espiritual, a cada último sábado do mês elas levam para casa o que serão as refeições dos dias seguintes. São aproximadamente 10 quilos de alimento que compõem cada cesta básica. Na última reunião do mês, as mais de 30 famílias cadastradas recebem a doação.

Desde 1968, o centro espírita funciona no Bairro de Lourdes, localizado na Rua Israel Pinheiro. O Departamento de Assistência Social do local já atendeu quase 150 famílias há alguns anos. “O cadastro é detalhado, quando uma família chega ao grupo pedindo auxílio, de imediato é sanada sua necessidade com uma cesta básica”, explica Edvaldo Sacramento, atual coordenador do Departamento.

Com um sorriso estampado no rosto, Claudiene Alves, 16, não hesita em manifestar sua satisfação ao falar sobre o grupo. Membro da entidade desde os 11 anos, a jovem revela que, no início, mal sabia o motivo daqueles encontros. Hoje, ela conta os benefícios que recebeu durante esses anos. “Depois que cheguei aqui muita coisa mudou, aprendi a amar o próximo, e isso me ajuda a ser melhor dentro de casa com a família, na escola e no dia a dia. Me dou super bem nos estudos. Aqui, ao mesmo tempo que é uma escola, é um lugar que me faz bem”.

Para permanecer com as doações, as famílias são cadastradas e, em seguida, passam por uma sindicância, onde é avaliada a real situação de carência em cada caso. Após o cadastro, as famílias começam a se envolver nas atividades do Grupo Espírita. As crianças participam da evangelização, enquanto os adultos – além de serem evangelizados – assistem palestras com temas diversificados. No mesmo salão é oferecido um lanche para cada pessoa se alimentar antes de ir embora.

Um pão, um copo de leite e uma salada de frutas são oferecidos às famílias no final de cada reunião. (Foto: Paulo Henrique Anjos)

Um pão, um copo de leite e uma salada de frutas são oferecidos às famílias no final de cada reunião. (Foto: Paulo Henrique Anjos)

Dona Celuta Ferreira e Seu Dorventyl Porto, 50 anos de casados – 47 dedicados ao trabalho voluntário no grupo -, lembram que no início foi bem difícil e a procura pelo serviço prestado era grande, chegando a atender mais de 150 crianças. “Tinha que controlar o número de pessoas que o grupo poderia cadastrar e ainda organizar o atendimento. É claro que tem muito trabalho para fazer, mesmo após tantos anos ajudando o próximo. Essa casa parece que é a extensão da minha”, enfatiza a voluntária.

Os antigos coordenadores trabalham em parceria com o atual coordenador, que iniciou suas atividades no grupo em 1984 e há aproximadamente 10 anos está na coordenação. Edvaldo conta que a doação é pequena, no entanto, o maior interesse do departamento é oferecer condições para cada família produzir sua própria cesta. “Eu acho que todos os membros devem pensar e focar nisso: eu posso produzir minha cesta, meu alimento e, principalmente, minha independência”, aconselha o coordenador que encoraja as famílias a buscarem uma vida melhor.

Foto: Paulo Henrique Anjos

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