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Mudanças climáticas antecipam período de estiagem em Valadares

Margem do Rio Doce no centro de Governador Valadares. (Crédito: Igor França/ Univale News)

Por Igor França

 

O efeito das mudanças climáticas atinge todo o planeta. O mais perceptível ao dia a dia é o aumento da temperatura nos últimos anos. De acordo com a NASA, agência norte-americana responsável pelas pesquisas espaciais, 2017 foi o segundo ano mais quente do último século. E a tendência para as próximas três décadas é que esse número cresça, principalmente por causa do estilo de vida adotado pela humanidade. Com temperaturas que em alguns meses ultrapassam os 40 graus, em Valadares a sensação térmica pode não ser um problema. Mas com o ciclo da seca cada vez mais severo, como o da estiagem, o período sem chuva é maior em relação a outros durante o ano, com o risco de passar mais de três meses sem uma gota de água, afetando diretamente o abastecimento para a população.

Em Governador Valadares a estiagem chegou mais cedo em 2018 e com ela veio também o alerta para a importância da preservação dos recursos naturais. De acordo com Wady Dutra, diretor de marketing do SAAE, a situação atual do Rio Doce é estável, mas requer dos cidadãos o uso consciente da água: “Pelo período de estiagem que normalmente vai de setembro até novembro e esse ano já começou no final de julho e início de agosto e pretende ir até novembro. Então, como esse período aumentou, nós estamos pedindo à população para economizar água para não chegar a um nível de precisar aumentar a nossa demanda de capitação ou fazer alguma alternativa para suprir a demanda da população”.

Segundo Daniela Cunha, professora de climatologia do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Governador Valadares o aumento da duração do período de estiagem está sendo agravado por causa da grande demanda populacional: “Nós estamos cada vez mais dependendo das chuvas para a gente ter água em reservatórios, para ter água em rios. E no período chuvoso, que é de outubro a março, principalmente, ocorrem as chuvas, mas elas não ficam no sistema. Elas não são infiltradas para ter uma recarga dos aquíferos. Então, por isso que no período de estiagem a gente sente cada vez mais a falta de água, cada vez mais tem diminuído o volume dos rios e dos reservatórios, justamente por causa desse problema do uso exagerado dos recursos naturais”.

Para a professora, a escassez dos recursos naturais já é uma realidade em nosso planeta, que é impulsionado pelo estilo de vida adotado pela humanidade nas últimas décadas: “A forma com nós temos que temos utilizado [os recursos naturais], há uma possibilidade de que vai chegar um momento que a Terra não vai conseguir repor aquilo que a gente tem utilizado no período de um ano. A gente tem o caso do dia de sobrecarga da Terra, que justamente indicando isso cada vez mais cedo durante um ano a gente tem esgotado os recursos que teríamos para ser utilizado o ano todo. É como se eu entrasse no vermelho, passasse a utilizar aquilo que a Terra não dá conta de renovar para aquele uso”.

E em tempos de consumismo desenfreados, ideias que busquem uma relação sustentável servem para evitar que a situação ambiental se agrave mais. Dessa forma, lembrar aquela velha formula dos 3R que se aprende na escola (reciclar, reutilizar e reduzir) faz toda a diferença. E é com essa intensão que Gleice Araujo transformou o seu trabalho de conclusão de curso em um projeto sustentável para a unidade de saúde onde trabalha. Gleice propôs que produtos, até então descartados, pudessem ser reaproveitados e destinados para um lugar mais apropriado: “Nós temos os toners que são reaproveitados, o Cerrobend, follha A4, uniformes que serão refeitos em bolsas e idealizados as eco-bags. Temos também os isopores, que são usados na oficina e que serão destinados a uma fábrica de laje”. Outro projeto em atividade na unidade de saúde é o recolhimento e o descarte de pilhas, bateria: “No projeto das pilhas estamos tabulando todas as pilhas que são usadas dentro da instituição, onde nós colocamos a datas de todas elas para posteriormente serem trocadas por pilhas recarregáveis”.

 

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